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Patriots Replay Tue Jun 02 | 12:00 AM - 11:55 AM

Nos momentos decisivos a defesa dos Ravens não teve respostas para o ataque dos Patriots

Se a teoria resultasse na prática, o New England Patriots não teria tido hipóteses no jogo de segunda-feira à noite.

No ataque, faltaram Rob Gronkowski e Danny Amendola, pedras decisivas afastadas por lesão. Além disso, a linha ofensiva consistiu de um rookie (Joe Thuney) e dois jogadores (Shaq Mason e David Andrews) que estão apenas na sua segunda temporada. No grupo de receivers estavam três elementos que fizeram este ano a sua estreia na equipa, o rookie Malcolm Mitchell, Chris Hogan e Martellus Bennett.

Como se isso não chegasse, para este jogo, os Patriots entraram em campo com apenas três wide receivers.

"Penso que isso é relativamente comum na National Football League (NFL) todas as semanas, que haverá uma posição em que não se tem o tipo de disponibilidade desejado, ou para aquele jogo ou durante o jogo," disse o treinador Bill Belichick durante a conferência de imprensa de segunda-feira. "É preciso ter maneiras alternativas, tu tens que encontrar uma maneira de lidar com isso."

A defesa dos Ravens chegou ao Gillette Stadium como a melhor da NFL em jardas permitidas por jogo (296,1), jardas no jogo terrestre (73,8), primeiras descidas permitidas por jogo (16,6) e primeiras descidas convertidas (33,3%).

Talvez por causa disso, a defesa dos Ravens entrou em Foxboro totalmente confiante.

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"O que eles fazem não é ciência espacial," disse Jimmy Smith, cornerback dos Ravens, na antevisão da partida. "Eles executam muito bem e eles estão muito bem treinados. Eles não falham os *tackles *na defesa e não deixam de segurar muitos passes no ataque. Quando apanham o passe numa rota de cinco jardas, avançam mais jardas. Penso que é isso que ajuda o ataque deles a sair-se tão bem. Da nossa parte, temos que ser uma defesa com grande desempenho nos tackles, uma defesa muito física que ajuda a neutralizar o que o [Tom] Brady faz."

O problema para a defesa dos Ravens começou precisamente aí, a necessidade de neutralizar Tom Brady. É certo que as estatísticas sugeriam que Tom Brady ia sentir dificuldade frente aos Ravens, pois nos seis jogos para o campeonato, não obstante só ter sofrido uma derrota nesses confrontos, totalizara seis touchdowns e sofrera três interceções, tendo acumulado um quarterback rating de 83,6, o que contrastava com a média de 97 registada durante a sua carreira.

ATAQUE COMEÇOU MAL

E o certo é que o jogo começou terrivelmente mal para Tom Brady e o seu ataque. Nas duas primeiras séries: three-and-out, nada feito. A terceira série começou na linha de 34 jardas e nove jogadas depois estagnou na linha de 41 jardas de Baltimore, resultando no terceiro punt da parte por Ryan Allen.

Felizmente para o ataque, a defesa estava inspirada e conseguiu mesmo colocar a equipa em vantagem, num safety de Kenneth Dixon forçado por Patrick Chung e Malcolm Brown.  

Tom Brady estava furioso com os colegas e a certa altura saiu a gritar com Julian Edelman porque este parara a meio da rota, resultando assim num passe incompleto que obrigaria Ryan Allen a tornar a entrar de serviço.

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"Normalmente, ele [Tom Brady] é sempre assim [muito intenso]," indicou Malcolm Mitchell após o final da partida. "Claro, quando nós queremos jogar melhor, ele é o líder da equipa, por isso tem que fazer o que ele considera necessário para nos levantar."

"Sim, [o meu nível de intensidade esteve muito elevado]," reconheceu Tom Brady durante o diálogo com os jornalistas. "Nós estávamos a jogar em casa, em dezembro, na segunda-feira à noite, contra uma grande defesa. Era importante para nós entrarmos em campo e jogarmos bem. Sabíamos que ia ser um jogo de 60 minutos. Eles têm uma defesa difícil."

E o certo é que esta demonstração de intensidade contagiou os colegas do sector. Conjuntamente com o coordenador ofensivo Josh McDaniels fez alguns ajustamentos e de repente o ataque começou a funcionar.

Na primeira série a seguir ao puxão de orelhas dado aos colegas, em 10 jogadas Tom Brady levou o ataque a percorrer 74 jardas, com Edelman a redimir-se numa receção de 28 jardas. LeGarrett Blount finalizou com o seu décimo quarto touchdown da temporada, igualando assim o record dos Patriots, que fora estabelecido por Curtis Martin em 1995.

Na série seguinte, oito jogadas, 89 jardas e novo touchdown, desta feita num excelente passe para Malcolm Mitchell. Nesta série saliente-se o passe para James White, que avançou 61 jardas depois dum passe curto de Brady.

Menos de um minuto depois, após mais um excelente desempenho da defesa, o ataque tornou a receber a bola. Oito jogadas permitiram um avanço de 75 yards, mas desta feita incompreensivelmente Brady tentou forçar um passe para Chris Hogan e permitiu a interceção de Eric Weddle.

DOMÍNIO TOTAL NA PRIMEIRA PARTE

Ao intervalo, os Patriots tinham controlo total sobre o jogo, com vantagem em praticamente todas as categorias. Brady completara 15 de 26 passes para 225 jardas, contra 16 de 26 e 142 jardas de Joe Flacco; em tempo de posse bola, 19:09 contra 10:51; 64-7 no jogo terrestre; 55%-35% em eficácia nas terceiras descidas.

Depois do intervalo, a primeira série foi mais do mesmo. Seis jogadas, 65 jardas e mais um touchdown, numa sensacional receção deMartellus Bennett.

Normalmente, 23-3, a meio do terceiro período, seria ponto final, parágrafo, tal tinha sido a inépcia mostrada pelo ataque dos Ravens até aquela altura. Mas, de repente, o jogo mudou. E não por mérito dos visitantes, mas sim por demérito dos Patriots.

A defesa tornou a anular o ataque dos Ravens, provocando mais um punt. Mas, desta feita, o rookie Cyrus Jones, que tem tido uma temporada desastrosa a receber punts, não segurou a bola, que foi capturada por Chris Moore na linha de 3 jardas dos Patriots. Duas jogadas depois, passe de Joe Flacco para Darren Waller, touchdown, 23-10.

No* kickoff* que se seguiu, o capitão das esquipas especiais, Matthew Slater, rendeu Cyrus Jones, mas repetiu o erro. Novo fumble, bola novamente para os Ravens, na linha de 22 jardas dos Patriots. Quatro jogadas depois, passe de Flacco para Kenneth Dixon, mais um touchdown, 23-17.

E assim em escassos 85 segundos a vantagem confortável de 20 pontos foi reduzida para seis, quando havia ainda 20:29 por jogar.

O ataque pareceu ter acusado estes dois erros e nas duas séries que se seguiram nada fez. Entretanto, depois dum drive de 10 jogadas e 56 jardas, o* field goal* de Justin Tucker apertou ainda mais o resultado, 23-20.

E foi aí que tornou a surgir a magia de Tom Bradye do ataque. Na primeira jogada uma bomba de 79 jardas para Chris Hogan arrumou com a questão, 30-20 Patriots.

Após o final da partida, as atenções gerais concentraram-se na exibição deTom Brady. E os números falam por si.

OS NÚMEROS DE TOM BRADY

Desta feita não foi o plano de jogo habitual, baseado nos passes curtos, pois Tom Brady tentou 10 passes que percorreram mais do que 15 jardas e completou oito, totalizando 249 jardas e dois touchdowns (Martellus Bennett e Chris Hogan), número que os Ravens não consentiam há quatro temporadas.

Esta foi a nona vez na sua carreira queTom Brady superou a fasquia das 400 jardas, total apenas excedido por Drew Brees (15), Peyton Manning (14) e Dan Marino (13)

Esta foi também a centésima vitória registada por Tom Brady nos jogos disputados em Foxboro, o que lhe permite apresentar a melhor média vitoriosa da história da NFL, 86,2%, pois sofreu apenas 16 derrotas em casa durante a sua carreira. Em termos percentuais, seguem-se: Terry Bradshaw, 67-12 (84,8%), Roger Staubach, 49-10 (83,1%) e John Elway 95-23 (80,5%).

O record para vitórias por um quarterback já lhe pertence, está agora em 202. Mas no número total de vitórias, independentemente da posição em que se joga, está agora em quarto lugar, atrás apenas de Adam Vinatieri (219), George Blanda (218), Gary Anderson (212) e Jerry Rice (210).

Outro record que decerto vai pulverizar já na próxima temporada refere-se ao número de vitórias por um quarterback durante a temporada regular, excluindo portanto os play-offs. Tem 180, à sua frente apenas estão Brett Favre (186) e Peyton Manning (186), mas a grande diferença é que Tom Brady só sofreu 52 derrotas, contra 79 de Manning e 112 de Favre.

Portanto enquanto Tom Brady e o seu ataque registavam noite de grande destaque, a afamada defesa dos Ravens regressava a casa depois de exibição para esquecer em todos os aspetos. As médias de 17,3 pontos permitidos por jogo, 296,1 jardas por consentidas por partida, e 33,3 % de terceiras descidas convertidas foram todas superadas: 30 pontos, 496 jardas, 50%.  

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Quatro dos receivers dos Patriots excederam as 70 jardas em receções. Chris Hogan estabeleceu uma nova marca pessoal com 129 jardas em cinco receções; James White fez 81, Julian Edelman 73 e Martellus Bennett 70.

Os elogios vieram de todos os lados mas o mais saboroso talvez tenha sido enviado por Terrell Suggs, o* linebacker* dos Ravens que é conhecido por não gostar de Tom Brady, pois já há vários anos que não o menciona por nome.

"Conforme eu disse, tu não podes cometer erros contra esse tipo [Tom Brady]. Não podes. Ele vai-te fazer pagar," disse Suggs em declarações prestadas à estação WEEI. "É como combater contra o [campeão mundial de boxe] Floyd Mayweather. Não tentes o nocaute, porque ele não te vai deixar fazeres-lhe o nocaute…Como quer que seja. [Já estamos a pensar no próximo jogo em] Philadelphia."

Obviamente, Tom Brady é o líder mas o seu sucesso depende do desempenho dos colegas do setor e neste jogo todos tiveram papel ativo na vitória. Os lances principais já foram mencionados, mas há um grupo que merece uma palavrinha, a linha ofensiva, que permitiu apenas um sack. Além disso, Tom Brady só foi atingido sete vezes.

Na conferência de imprensa de segunda-feira de manhã, quando os jornalistas lhe pediram para avaliar a exibição do guard Shaq Mason, o coordenador ofensivo dos Patriots, Josh McDaniels, aproveitou para destacar a regularidade demonstrada por este grupo ao longo da temporada.

"[O treinador da linha ofensiva] Dante [Scarnecchia] tem feito um trabalho tremendo com todo o grupo, conseguindo que joguem bem em conjunto de forma a cada indivíduo melhora os seus conhecimentos fundamentais e a sua técnica," afirmou McDaniels. "Já disse inúmeras vezes que eles não poderiam pedir uma situação melhor do que ter o Dante Scarnecchia como seu treinador de posição."

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