Quem percorrer os parques de estacionamento do Gillette Stadium em dia de jogo dos Patriots decerto vai encontrar largas centenas de adeptos portugueses que nĂŁo falham um jogo em casa da sua equipa favorita. E assim foi no domingo Ă noite, para assistirem aquele que muitos consideram o jogo mais difĂcil da temporada, frente ao Seattle Seahawks.
"Eu venho cĂĄ aos jogos hĂĄ cerca de 12 anos," revelou Tony Chaves, um empresĂĄrio de Assonet, Massachusetts. "NĂŁo digo que venho a todos, mas venho a 99 por cento dos jogos."
Tal como a maioria dos Portugueses, nos primeiros anos de estadia nos Estados Unidos encontrou alguma dificuldade em gostar do football americano, especialmente por ter regras diferentes do outro futebol, aquele a que os Americanos chamam soccer.
"Comecei a ver os jogos com alguma atenção, comecei a gostar, depois adorei e comecei a vir aos jogos com alguns amigos," explicou Tony Chaves. "Entretanto, consegui os 'season tickets' [passe para a temporada], neste momento tenho sete. Cheguei a ter 11, mas agora tenho sete, porque são algo dispendiosos."
"Normalmente trago a minha famĂlia, a minha esposa, a minha filha, o meu genro, as minhas netas, e noutros jogos trago alguns amigos, como hoje."
Um desses amigos Ă© o Tony Rodrigues, professor em Fall River.
"Eu comecei a vir hĂĄ uns sete anos, quando o Tony me começou a oferecer bilhetes," confirmou Tony Rodrigues. "Eu faço a comida, mas temos outros amigos que arranjam bilhete e vĂȘm ver o jogo connosco."
"Foi em 2000, quando Tom Brady e os Patriots começaram a ter outro rendimento," disse Ed Chaves, de East Providence, cidade no Estado de Rhode Island com grande concentração de Portugueses. "Agora, eles são os melhores e nós temos que apoiar a nossa equipa."
E como Ă© que os adeptos do futebol aprendem a gostar do football e dos Patriots?
"Ă muito fĂĄcil," explicou Tony Rodrigues. "Estou nos Estados Unidos hĂĄ 31 anos, o football Ă© o desporto mais popular neste paĂs e eu aprendi a adorar este jogo. Eu adoro os Patriots, que Ă© a minha equipa, mas vejo outros jogos na televisĂŁo. AliĂĄs assistir aos jogos faz parte do meu domingo, tenho que passar o dia a ver football."
"Eu gosto do futebol PortuguĂȘs, mas tambĂ©m adoro o football americano, Ă© um desporto espetacular, Ă© diferente," acrescentou Paul Rodrigues, proprietĂĄrio de um restaurante PortuguĂȘs em New Bedford. "E, claro, em Portugal nĂŁo hĂĄ tail gating."
"à um pouco diferente do nosso futebol, mas com a passagem dos tempos, nós vamo-nos habituando," confirmou Jorge Silva, de Cumberland, outra cidade do vizinho estado de Rhode Island com grande concentração de Portugueses. "Agora estamos cå para apoiar."
"Eu jå venho aos jogos desde a década de 80, quando não vinha cå ninguém," acrescentou Jorge Silva. "Era muito mais calmo. Da maneira que eles estão sempre a ganhar agora, temos que continuar a vir dar o nosso apoio."
'Tail gating' Ă© parte integral e extremamente importante da rotina do dia de jogo. Cerca de quatro horas antes do inĂcio da partida, os amigos reĂșnem-se no mesmo parque de estacionamento de sempre, montam a mesa, sentam-se comodamente a comer e a beber e a mentalizar-se para o que esperam venha a ser mais uma vitĂłria dos Patriots.
"NĂłs trazemos a comida jĂĄ feita," explicou Paul Rodrigues. "O cozinheiro hoje fui eu, normalmente somos entre 15 e 20 pessoas, e passamos o tempo a comer e a beber, Ă espera do jogo."
"Os 15 a 20 sĂŁo sĂł no nosso grupo, mas se o senhor der uma volta por este por este parque de estacionamento vai encontrar muitos portugueses, vai ver a nossa comida e ouvir a nossa mĂșsica," acrescentou Ed Chaves. "Eu diria que quase 50 por cento das pessoas que estĂŁo neste parque sĂŁo Portugueses, ou luso-descendentes."
E na realidade lĂĄ estava a carne de porco Ă Alentejana, o camarĂŁo grelhado, o belo queijo e os melhores vinhos portugueses.
SĂŁo adeptos do Benfica, do Sporting e do Futebol Clube do Porto, mas no domingo Ă noite ignoraram essa rivalidade trazida de Portugal e deram as mĂŁos para apoiar o clube do coração no paĂs adotado, o New England Patriots. Para que a noite seja perfeita, falta apenas a vitĂłria sobre Seattle.




























