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Replay: Patriots Unfiltered Thu May 23 - 02:00 PM | Tue May 28 - 11:55 AM

Ninguém entrou em pânico ao intervalo

Nunca ninguém conseguira recuperar de uma desvantagem superior a 10 pontos durante as primeiras 50 edições do Super Bowl. Neste jogo, os Patriots foram para o intervalo a perder por 18 pontos, 21-3, mas depois conseguiram a maior recuperação de sempre, em parte porque a equipa manteve a sua confiança e nunca entrou em pânico.

Durante a semana, quando lhe pediram para explicar como é que os Patriots haviam conseguido chegar a mais um Super Bowl, Tom Brady respondera: "temos muita tenacidade mental, muita tenacidade física, é uma equipa que trabalha imenso, os treinadores desafiam-nos a cada passo durante a caminhada e a equipa respondeu a todos esses desafios."

E tornou a responder, de forma absolutamente incrível, ao maior desafio de todos os tempos, registando 31 pontos consecutivos numa vitória histórica, obtida no prolongamento, 34-28.

A bem dizer na primeira parte tudo correu mal. A defesa de Atlanta, mostrando uma agressividade e rapidez que apanharam de surpresa a linha ofensiva dos Patriots, pressionou Tom Bradysempre que o quarterback dos Patriots tentou fazer passes. Até ao intervalo Brady sofreu dois sacks, foi derrubado sete vezes e atingido outras 11 vezes.

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E quando o ataque parecia finalmente estar a mostrar algum ritmo, um dos passes de Tom Brady foi intercetado por Robert Alford, que galgou 82 jardas para registar o touchdown que aumentou a vantagem de Atlanta para 21-0. Faltavam apenas 2:21 para o intervalo e tudo indicava que, contra todas as previsões, os Patriots iriam ser goleados, tanto mais que a segunda parte começaria com o ataque dos Falcons a ter a bola em seu poder.

Mesmo em cima do intervalo, Stephen Gostkowski ainda conseguiu um field goal que reduziu para 21-3, mas o pontapé soube a pouco porque naquela altura a equipa precisava de um touchdown.

Portanto, quando foi para o balneário, o grupo liderado pelo treinadorBill Belichick parecia resignado à sua sorte. Normalmente, a equipa técnica dos Patriots consegue fazer os ajustes devidos durante o descanso, e neste jogo até teria mais tempo para alterar o muito que correra mal pois o espetáculo de Lady Gaga prolongou-se durante quase uma hora. Mas, recuperar 18 pontos? Muito pouco provável, quase impossível, diziam os comentaristas,

O QUE FOI DITO DURANTE O INTERVALO

"O que é que eu lhes disse no intervalo? A mesma coisa que lhes dissemos no primeiro período e no segundo período. Continuámos a dar instruções e a procurar melhorar. Encontrar maneiras de fazer coisas que fossem um pouco mais produtivas," respondeu Bill Belichick, após o final da partida, quando lhe perguntaram o que é havia feito durante o intervalo para convencer a equipa a mudar tão radicalmente.

"Em termos gerais, a nossa mensagem foi para manterem o curso. Precisávamos de começar a executar a um nível melhor do que havíamos feito na primeira parte. Ir para o campo e começar a completar uma jogada de cada vez," acrescentou Matt Patricia, coordenador defensivo dos Patriots.

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"Não foi a nossa melhor exibição. Só tivemos que lhes dizer, ' Eis o que aconteceu na primeira parte, eis como o jogo tem decorrido, mas nós não entrámos em pânico como se tivéssemos que marcar sempre que tivéssemos a bola na segunda parte," concluiu Josh McDaniels, o coordenador ofensivo dos Patriots. "

"Quer dizer, estava 21-3 (ao intervalo), por isso tu estás a perder por 18 pontos. Sabemos que temos um ataque que é capaz de avançar com a bola e marcar muitos pontos. Sabemos que a nossa defesa é uma das melhores defesas da liga. Por isso tínhamos que os parar algumas vezes e tínhamos que marcar algumas vezes. Os nossos jogadores sabiam isso. Tínhamos que ir para o campo e executar algumas coisas, mas notou-se muita confiança e este grupo nunca se entregaria. Nunca".

Os jogadores mais experientes também desempenharam o seu papel e tudo fizeram para que ninguém desanimasse e regressasse à segunda parte confiante de que ainda havia tempo suficiente para dar a volta ao resultado.

"Não houve pânico. Todos continuaram a acreditar no processo. Pagámos um preço elevado para chegar a este ponto. Trabalhámos imenso. Treinámos com todo o equipamento durante a semana do Super Bowl," revelou Matthew Slater, capitão das equipas especiais. "Nós trabalhámos para isso. Os nossos corpos estavam prontos e nossas mentes estavam prontas, e nós continuámos a acreditar uns nos outros."

"Sabem uma coisa, o [Bill] Belichick não me disse nada," acrescentou o tackle Nate Solder. "O treinador da minha unidade, o [Dante] Scarnecchiaé que me ajudou a mudar algumas questões técnicas. Ajudou-me a corrigir."

"Não mudámos nada", acrescentou o safety Patrick Chung. "Só nos disseram para jogarmos melhor. Nós somos uma equipa melhor do que mostrámos, no ataque, na defesa, nas equipas especiais e tivemos que melhorar. Tivemos que ganhar coragem e jogar football consistente, jogar como sabemos jogar, e nós fizemos isso. Lutámos até o fim e o resto tratou de si."

"Nós sabíamos que nos estávamos a derrotar a nós próprios," foi a sugestão de Dion Lewis. " No ataque conseguimos avançar com a bola. Mas, entregámos a bola duas vezes [turn overs]. Não estávamos a finalizar na red zone. Sabíamos que tínhamos que parar de entregar a bola. Nós sabíamos que eles iam ficar cansados. Tivemos a bola durante bastante tempo na primeira parte. A nossa defesa fez algumas jogadas para nós na segunda metade. Foi ótimo, é a melhor sensação."

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"Queríamos apenas estar focados no nosso trabalho; uma jogada de cada vez, um drive de cada vez. Interromper a marcação deles, tentar levar a bola até à end zone e completar jogadas. Nós temos uma equipa dura, por isso foi divertido," acrescentou Danny Amendola.

"Nunca considerámos que não podíamos ganhar o jogo. Queríamos continuar a lutar, a seguir em frente, a acreditar e foi isso que fizemos."

Martellus Bennettadiantou que "não foi nada de anormal. Não houve nenhum grande discurso. Não houve ninguém a discutir, a atirar com os capacetes, nada do género. Viemos e fizemos alguns ajustes. Estávamos todos focados em fazer o que tínhamos que fazer e foi isso. Só fizemos ajustes e mudámos o nosso plano de jogo e a forma como íamos atacar, e isso foi o que fizemos."

Para Chris Hogan foi uma questão de "dizermos a nós próprios que tínhamos que completar algumas jogadas. Isto ia fazer história – uma história da recuperação no Super Bowl. Vamos fazer o nosso trabalho e completar algumas jogadas e encontra maneira de ganhar o jogo, e foi que fizemos."

Sobre os conselhos que Tom Brady passou aos colegas, Chris Hogan revelou que foi uma mensagem simples.

"Para fazermos o nosso trabalho. Tínhamos que seguir em frente. Nós sabíamos que ia ser um jogo com 60 minutos de duração," revelou Hogan. "Nós nunca desistimos. É isso que torna esta equipa especial. Não houve um momento durante o jogo onde eu senti que alguém tivesse desistido. Vamos moer isto. Íamos lutar até ao fim."

"Sabíamos que tínhamos que ir para o campo, conseguir uma paragem e marcar pontos rapidamente," disse LeGarrette Blount. "A nossa defesa devolveu-nos a bola rapidamente e fizeram imensas jogadas. Provocou um sack-fumble, recuperaram [um fumble], fizeram muitas de coisas que definitivamente contribuíram para a nossa vitória. Eles jogaram muito bem. Jogaram de forma incrível. As nossas equipes especiais com as paragens na linha das 10 jardas, das 15 [jardas] e coisas assim. Todas essas coisas foram um fator enorme neste jogo."

O QUE MUDOU

 "Muito sinceramente, começamos finalmente a executar. Nós estávamos no campo, sabíamos o que tínhamos de fazer, mas não conseguimos isso na primeira parte," sugeriu Alan Branch. "Fomos para a segunda parte com um pouco mais de energia. Estávamos a completar muito mais jogadas do que havíamos feito antes."

"Bem, houve muitas jogadas, conforme o treinador [Bill Belichick] diz, que nunca se sabe quais vão estar no Super Bowl e provavelmente houve trinta dessas hoje à noite, e se qualquer uma deles tivesse sido diferente, o resultado poderia ter sido diferente," acrescentou Tom Brady. "Estou tão orgulhoso dos nossos jogadores, dos nossos treinadores, da equipa – que foi inacreditável, o que eles têm conseguido durante toda a temporada. Estou orgulhoso de fazer parte deste grupo tremendo."

"Foi uma boa sensação," concluiu Dion Lewis. "Acabómos por executar um pouco melhor e de forma positiva. Todos pensaram de forma positiva. Ninguém pensou que não iríamos ganhar este jogo e isso é a maior coisa que posso dizer sobre esta equipa."

E foi essa crença que permitiu que o ataque dos Patriots conseguisse 19 pontos no último período, ao mesmo tempo que a defesa anulava por completo o ataque dos Falcons. No prolongamento a magia continuou e devido a isso esta equipa dos Patriots entrou para a história do Super Bowl.

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