Patriots x Texans
Embalados por uma vitória resiliente sobre os Chargers no Wild Card, os Patriots avançam para o Divisional Round, onde encaram mais um candidato forte da AFC, o Houston Texans. Houston chega vivendo seu melhor momento na temporada, com 10 vitórias consecutivas, além de contar com uma das defesas de elite da NFL.
Os Texans representam o maior desafio que os Patriots enfrentaram nesta temporada. Na semana passada, a defesa de Houston sufocou o Pittsburgh Steelers no jogo do Wild Card, mostrando exatamente por que a equipe figura entre as melhores da liga nos principais indicadores.
Enquanto isso, os Patriots seguem embalados pela ascensão de Drake Maye e por uma defesa que vem encontrando seu melhor ritmo na pós-temporada. Maye cometeu dois turnovers contra Los Angeles, mas, graças a uma defesa que cedeu apenas três pontos e a um passe para touchdown no fim do jogo para Hunter Henry, que selou a vitória, os Pats avançaram. Para repetir o feito nesta semana, será preciso subir ainda mais o nível.
Com uma vaga no AFC Championship Game valendo, estes são os três fatores decisivos que vão determinar se New England manterá sua temporada viva.

1. Proteger o edge
Essa é a história do jogo.
A defesa de Houston é um verdadeiro pesadelo na NFL. Os Texans ocupam o 2º lugar em DVOA, são a 2ª equipe que menos cede pontos, a 1ª em jardas totais permitidas e a 6ª em eficiência em terceiras descidas. Houston conta com talento de elite em todos os níveis da defesa, mas seu grande cartão de visitas está nas extremidades da linha defensiva. Danielle Hunter e Will Anderson Jr. são jogadores físicos, disruptivos e que geram pressão de forma constante. Juntos, eles somaram 27 sacks na temporada, destruindo planos de jogo ao vencerem rapidamente pelos lados, colapsarem o pocket e forçarem os quarterbacks a tomar decisões apressadas.
"Acho que há talento, envergadura e esforço," disse Mike Vrabel sobre a dupla nesta semana. "Se eles são bloqueados, não permanecem bloqueados por muito tempo."
Depois de conter a linha defensiva dos Chargers na semana passada, a linha ofensiva dos Patriots agora encara um desafio bem diferente: Houston não depende de variações esquemáticas; eles vencem com velocidade e agressividade, com todos os 11 jogadores sabendo exatamente onde estar e chegando rapidamente à bola.
O coordenador ofensivo dos Patriots, Josh McDaniels, terá diversas ferramentas à disposição para impedir que a defesa de Houston assuma o controle do jogo. Utilizar os tight ends para ajudar nos bloqueios pelas bordas ou incorporar pacotes com pessoal mais pesado pode desacelerar Anderson e Hunter, assim como mover o pocket ou permitir que Maye cause estragos com suas próprias pernas.
O mais importante é evitar os turnovers decisivos que os Texans sabem provocar tão bem. Nesta temporada, Houston forçou 10 fumbles e interceptou 19 passes, totalizando o segundo maior número de takeaways da NFL.

2. O dia de Maye
Tudo começa pela proteção, mas a tomada de decisão de Maye e o uso das rotas de escape serão igualmente importantes.
Houston utiliza uma boa quantidade de coberturas em zona (14º em frequência), mas mistura man-to-man o suficiente (19º) para desafiar o timing das rotas e forçar quarterbacks jovens a identificar rapidamente quem está conseguindo separação. A secundária dos Texans é rápida, física e extremamente competitiva no ponto da recepção. Derek Stingley Jr., Kamari Lassiter e Jalen Pitre lideram uma das secundárias mais agressivas do futebol americano, todos atuando de forma muito disciplinada dentro do sistema defensivo.
"A questão sobre os Texans é que aquilo que eles fazem, eles fazem muito bem," disse Maye nesta semana. "Eles são realmente bons nisso… jogam bastante em marcação homem a homem, também usam zona. Estão sempre de olho no quarterback e focados em forçar turnovers."
Maye também pode esperar que os Texans sigam o exemplo dos Chargers e tenham como prioridade tirar Stefon Diggs do jogo, especialmente nas terceiras descidas. Houston deve rotacionar a cobertura em sua direção, posicionar defensores por baixo das rotas e desafiar Maye a buscar, de forma consistente, outras opções no ataque.
É aqui que os Patriots precisam evoluir. Kayshon Boutte, Pop Douglas e Kyle Williams precisam ser participantes ativos do ataque, especialmente em conceitos curtos pelo meio e por baixo da defesa.
Os tight ends e os running backs também terão papel fundamental. Na semana passada, Hunter Henry marcou o único touchdown de New England e segue sendo uma válvula de segurança valiosa para o ataque. Austin Hooper passou a poucos centímetros de entrar na end zone e também apareceu em momentos importantes ao longo da temporada. Colocar a bola nas mãos de Rhamondre Stevenson e TreVeyon Henderson em campo aberto pode ser a forma mais eficaz dos Patriots neutralizarem o pass rush dos Texans enquanto buscam jogadas explosivas.
Para avançar, os Patriots precisam que Maye solte a bola no tempo certo, aproveite as jardas que Houston tende a conceder por baixo da cobertura e confiar nas peças de profundidade do elenco para manter as campanhas vivas. Os Texans são bons demais para serem batidos com apenas uma opção ofensiva.

3. Esforço e capacidade de finalizar, vão ter que ser personificados mais uma vez
A defesa dos Patriots vem, possivelmente, de sua melhor atuação na temporada — uma performance no Wild Card que ditou o ritmo desde o início e nunca permitiu que Justin Herbert encontrasse seu ritmo. Foi uma exibição defensiva disciplinada, intensa e cheia de energia, do tipo que funciona fora de casa em janeiro. E eles vão precisar repetir cada detalhe disso nesta semana contra C.J. Stroud e um ataque dos Texans que busca constantemente jogadas explosivas.
Stroud é um dos passadores mais eficientes da NFL em bolas longas, e o jogo aéreo de Houston prospera a partir de passes profundos bem calculados. Por isso, evitar jogadas explosivas será a prioridade máxima da defesa. A missão dos Patriots pode ficar um pouco menos complicada com a provável ausência de Nico Collins, que sofreu uma concussão no Wild Card. Ainda assim, o calouro Jayden Higgins é um jogador grande, atlético e com velocidade vertical suficiente para mudar o jogo.
A secundária dos Patriots fez um excelente trabalho na semana passada ao evitar jogadas explosivas, e isso será igualmente vital nesta semana.
"[Stroud] é atlético o suficiente para estender as jogadas, mas também tem a presença no pocket que você procura," disse Vrabel nesta semana. "Ele consegue virar de costas para a defesa, sair da pressão e executar play action. Faz um ótimo trabalho no jogo de bootleg. Mantém os olhos no fundo do campo. É preciso. Então, ele te entrega um pouco de tudo: a capacidade de estender as jogadas, mas sempre mantendo os olhos downfield."
O pass rush dos Patriots precisa ser tão disruptivo quanto foi contra os Chargers. Os Steelers forçaram Stroud a cometer vários erros na semana passada. Se os Patriots conseguirem repetir esse tipo de atuação, New England terá uma grande vantagem.
Contra Herbert na semana passada, os Patriots conseguiram gerar pressão sem serem punidos graças à sintonia entre cobertura e pass rush. Essa mesma abordagem é fundamental agora, não apenas para acelerar o relógio interno de Stroud, mas também para evitar oferecer rotas fáceis de escape. Stroud não é um quarterback que prioriza corridas, mas é mais do que capaz de machucar os adversários quando as jogadas se quebram.
Para vencer, a defesa precisa atuar com a mesma urgência mostrada no Wild Card, chegando rapidamente à bola e forçando Stroud a realizar passes em janelas apertadas — arremessos que até quarterbacks jovens de elite podem errar sob a pressão dos playoffs.
Com mais uma atuação coletiva completa, mais uma semana de "sem cochilos" e "a todo vapor", New England se dará todas as chances de carimbar sua vaga no Championship Weekend.

Patriots x Texans será Transmitido:
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